TRANSFORMADORES Á SECO E Á ÓLEO

Centro de Profissionalização e Educação Técnica

TRANSFORMADORES Á SECO E Á ÓLEO

JHONATAN RODRIGUES

Orientador: Márcia

Resumo

Os transformadores são o principal equipamento no ciclo da eletricidade, desde a produção, transporte e distribuição. Submetidos através do tempo a vários parâmetros, os transformadores também precisam de proteções, painéis, relés, manutenção, para manterem o funcionamento adequado. Portanto, segundo cada necessidade, propõe-se uma ampla gama de transformadores à seco ou à óleo, para que seja possível atender cada demanda específica. Assim, o objetivo dessa pesquisa foi apontar quais os atributos definem a atualização de transformadores à óleo ou à seco nos diversos sistemas de produção de energia elétrica em uso no Brasil. Para realização da pesquisa foi utilizado o método bibliográfico tipo revisão de literatura, que primeiramente caracterizou e comparou os transformadores de potência tipo seco e à óleo. Posteriormente foram apresentados os principais componentes desses equipamentos, enfatizando a função e importância, com ênfase no tanque, líquido isolante, termômetro do óleo que são inerentes somente aos transformadores à óleo e componentes que também são indispensáveis aos modelos a seco, como núcleo dentre outros. Conhecidas características e componentes foram apresentadas as aplicações de cada tipo de transformador segunda o tipo de demanda, e suas respectivas vantagens e limitações. Conclui-se que é necessário não apenas conhecer os tipos de transformadores e componentes, no momento da determinação do tipo a ser utilizado, é indispensável analisar o tipo de demanda que irão atender e o local a ser instalado, ambos os tipos de transformadores têm vantagens e desvantagens e a aplicação adequada garante a segurança na manutenção do serviço.

Palavras-chave: Transformadores; Componentes; Energia Elétrica.

Abstract

Transformers are the main equipment in the electricity cycle, from production, transportation and distribution. Subjected through time the multiple parameters, the processes too need of protects, panels, relays, maintenance, to maintain of suitable working. Therefore, it takes a wide range of dry or oil transformers, to be possible in each condition. Thus, the objective was pointed to those that define an update of oil or dry transformers in electric energy production systems in use in Brazil. The program was used as a database for literature review, which characterized and compared the dry and oil type power transformers. The following indicators were included: insulation equipment, voltage to function and importance, with emphasis on tank, insulating liquid, energy thermometer which is inherent to the oil components and components that are indispensable to long term models. Known the characteristics and components were the applications of each type of transformer to the type of demand, its advantageous advantages and its limitations. It is not necessary to have types of transforming components and type, no need to be used, it is necessary to analyze the type of application that the present brings and be installed, both types of transformers have advantages and The application of insurance in service maintenance.

Keywords: Transformers; Components; Electricity.

Introdução

Os transformadores são o principal equipamento no ciclo da eletricidade, desde a produção, transporte e distribuição. Do transformador de potência, que pode ser tão grande quanto uma casa, até o transformador de celular que cabe na palma da mão, esses equipamentos objetivam transformar o nível de tensão (V em Volts) e corrente (intensidade em Ampère) em diferentes níveis de energia elétrica (kVA kilovoltamperes, etc) e possuem características mecânicas, elétricas e de condição em uso únicas, em relação a cada instalação em que são aplicados.

Submetidos através do tempo a vários parâmetros, os transformadores também precisam de proteções, painéis, relés, manutenção, para manterem o funcionamento adequado. Portanto, segundo cada necessidade, propõe-se uma ampla gama de transformadores à seco ou à óleo, para que seja possível atender cada demanda específica.

Transformadores são dispositivos muito úteis que permitem que a eletricidade seja usada eficientemente e com segurança por propriedades industriais e comerciais, como escritórios, residências e grandes fábricas. Existem dois tipos de transformadores que estão sendo usados: transformadores do tipo seco e transformadores preenchidos com óleo. Estes equipamentos servem ao mesmo propósito, mas têm algumas diferenças importantes que definem qual o melhor tipo para cada demanda. Conhecer essas especificidades é essencial para todo profissional de engenharia elétrica, visto que são usados durante todo o ciclo da energia elétrica, por isso justificando o desenrolamento dessa pesquisa e interesse pela temática.

Além de sua importância no processo de transformação e distribuição de energia, os transformadores são considerados o principal equipamento para o funcionamento do sistema de energia elétrica, por isso, conhecer as principais características e usos dos transformadores segundo o tipo de resfriamento, seus principais componentes é essencial para que sejam dimensionados de forma adequada e realizadas as devidas manutenções. Diante disso tem-se como questão norteadora: quais as principais diferenças entre os transformadores à óleo e a seco que determinam sua aplicação nos sistemas de média e alta tensões?

Como objetivo geral desta pesquisa, foi apontar quais os atributos definem a atualização de transformadores à óleo ou à seco nos diversos sistemas de produção de energia elétrica em uso no Brasil. E como objetivos específicos: distinguir os principais características e diferenças entre transformadores à seco e a óleo, apontar o os principais aspectos construtivos destes; e descrever, conforme a literatura, os usos desses tipos segundo as demandas de uso em diversas aplicações.

Para o alcance desses objetivos foi definido o método bibliográfico tipo revisão de literatura. Assim, a pesquisa foi pautada em livros de referência, artigos e diversos materiais acadêmicos e científicos, além de manuais oficiais de fabricantes de transformadores de potência e de seus acessórios. Como bases de dados online foram acessados documentos regulatórios da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), referentes os usos de transformadores segundo sua forma de resfriamento, o Google Acadêmico e Scientific Electronic Library Online (SciELO), assim como o banco de dados da Comissão de Aperfeiçoamento de Pessoal do Nível Superior (CAPES) do Ministério da Educação, sendo pesquisados os termos, juntos e/ou separados: transformadores de potência; resfriamento de transformadores; transformadores a seco; transformadores à óleo. Foram incluídos trabalhos publicados nos últimos dez anos, ou seja, a partir de 2009.

O trabalho se constitui de cinco capítulos. O primeiro é esta introdução que contextualiza e expõe os objetivos e a metodologia aplicada a pesquisa. O segundo apresenta os tipos de transformadores (seco e à óleo) e suas principais características. O terceiro capítulo descreve os principais componentes dos transformadores. O quarto apresenta as aplicações dos transformadores segundo os tipos de usinas de produção de energia. Enquanto o último capítulo versa as considerações finais.

  

TIPOS DE TRANSFORMADORES

Transformadores são dispositivos comuns e úteis que retiram eletricidade de alta tensão diretamente de uma usina e a convertem em uma voltagem mais baixa ao longo do ciclo de transporte e distribuição até o consumidor final. A atuação desse equipamento é necessária e permite que a energia seja usada com segurança e eficiência por máquinas e aparelhos que só podem lidar com baixa tensão em espaços domésticos, mas também com média e alta tensão nos setores industriais e produtivos, segundo cada necessidade de uso (OLIVEIRA; COGO; ABREU, 1984).

Em se tratando da manutenção, geralmente, os transformadores com óleo requerem que os procedimentos sejam realizados com mais frequência do que os do tipo seco. O óleo também precisa ser amostrado e analisado para que não haja problemas com contaminação. Isso implica que os transformadores arrefecidos a óleo requerem mais procedimentos de manutenção, que devem ser realizados com mais frequência do que o tipo seco. Em sentido contrário, os transformadores a seco são muito resistentes a contaminantes químicos (FINOCCHIO et al, 2016).

Transformadores são geralmente conhecidos por serem barulhentos quando estão em operação. Com isso dito, os transformadores arrefecidos a óleo têm um nível sonoro operacional inferior, reduzindo assim a poluição sonora, que é maior no tipo seco (SOUZA, 2013) (Figura 1).

Figura 1 — Esquema de Transformador á seco
Esquema de Transformador á secoWeg (2013)

Além disso, os transformadores preenchidos com óleo são mais eficientes, exigem menos demanda e criam um impacto ambiental menor do que o tipo seco, que são limitados em sua voltagem e em seu tamanho e mais propenso a superaquecimento se sofrer sobrecarga, sendo importante lembrar que seu desempenho é limitado durante a sobrecarga, como resultado, têm maiores perdas elétricas e é mais caro manter a fonte de alimentação ao longo do tempo (MARQUES, 2014).

Diante disso, a localização de instalação do transformador será o maior determinante para a escolha do tipo. O tipo seco é especificado para uso em áreas urbanas densamente povoadas, simplesmente porque são ambientalmente mais seguros, já que não há risco de vazamento de substancias líquidas contaminas e os gazes utilizados no resfriamento são sempre inertes, dessa forma são menos inflamáveis e apresentam menor risco de incêndio, tornando-os ideais para shoppings, hospitais, complexos residenciais e outras áreas comerciais (CAMPOS, 2016).

Os transformadores refrigerados a óleo (Figura 2) são usados em instalações externas devido à possibilidade de vazamento de óleo e derramamentos que representam um risco de incêndio, mas essas unidades são mais ecológicas. Os custos, tanto inicial quanto operacional, se comparado ao resfriamento à óleo, o tipo seco apresenta uma perda operacional significativamente maior, ou seja, têm uma eficiência energética padrão mais baixa e, como resultado, têm uma vida útil menos longa do que a do tipo à óleo (RIBEIRO, 2016).

Figura 2 — Esquema de um transformador á óleo
Esquema de um transformador á óleo Weg (2013)

Mas, diante das constantes e crescentes demandas por melhor resultado e menor impacto ambiental, tem-se a reciclabilidade. A reciclagem de fim de vida para o tipo seco é limitada, enquanto as unidades de óleo possuem uma recuperação mais fácil do núcleo / bobina. O resfriamento a óleo tem vida operacional e capacidade de manutenção superiores, produzindo menos resíduos e exigindo menos substituições e mão-de-obra (SANTOS, 2012).

Essas são as principais diferenças que existem entre os transformadores a óleo e a seco, e todas devem ser consideradas quanto a escolha de transformador, respeitando também os requisitos de segurança e do orçamento reservado para a aquisição. Embora essas diferenças sejam aceitas como regras gerais, é essencial estar atento a exceções. O Quadro 1 apresenta um resumo das principais diferenças entre os transformadores (FINOCCHIO et al. 2016).

Tabela 1 — Comparação entre transformadores á seco e á óleo
   
Item                                  Óleo isolante Resina epóxi (seco)
Manutenção Deve ser periódica. Carecendo de trocas de óleo isolante, juntas, guarnições e acessórios. Desnecessário 
Vida útil  30 anos 30 anos ou mais
Obras civis Requer de paredes e portas corta-fogo, sistema contra incêndio e poço para coletar fluido em caso de vazamento. Não necessita de obras específicas 
Segurança  Risco de explosão e incêndio, vazamentos e contaminação do ambiente. Não explosivo, não sustenta ou alastra incêndios
Proteção  Vários acessórios para proteção e controle. Somente sensores de temperatura para alarme, desligamento e mensuração de temperatura
Restrições ambientais  Risco de contaminação pelo vazamento do liquido isolante.Não existem 
AmbienteSão comprometidos por umidade, salinidade, oxidante, etc.  Indiferente aos fatores ambientais
Certificações ISSO 14000 e NR10 Indica precauções com este tipo de equipamento Não apresenta perigos ao homem e ambiente. 
Finocchio et al (2016)

 PRINCIPAIS COMPONENTES DOS TRANSFORMADORES

Os transformadores à óleo e a seco tem praticamente os mesmos componentes, exceto aqueles relacionados ao uso do óleo, como o conservador e o líquido isolante, o termômetro e indicador de nível de óleo, por exemplo (MOTA et al., 2015). Os principais componentes de um transformador de potência são mostrados na Figura 3. 

Alguns desses componentes são caraterizados nos subtópicos seguintes.

Figura 3 — Principais componentes de transformadores a óleo
Principais componentes de transformadores a óleoSuñé (2017).

TANQUE

Uma parte principal do transformador do transformador a óleo, o tanque é uma caixa feita de aço, na qual o núcleo do transformador é instalado, juntamente com os enrolamentos e outros dispositivos necessários ao funcionamento do equipamento. É preenchido com óleo isolante, geralmente óleo mineral. Comumente tem forma cilíndrica ou cúbica dependendo da construção do transformador. É revestido interna e externamente com uma cor para atender o ponto de vista de segurança. O revestimento colorido também fornece proteção em caso de conexão do enrolamento com o tanque acidental (SENAI/SC, 2007).

CONSERVADOR DE LÍQUIDO ISOLANTE 

O conservador do líquido isolante (Figura 4), utilizado somente no modelo a óleo, é um pequeno tanque usado em transformadores de alta potência e fica conectado acima do tanque principal do transformador. Tem a forma cilíndrica (MAMEDE FILHO, 2011). 

 

Figura 4 — Conservador do líquido isolante
Conservador do líquido isolanteSuñé (2017).

O tanque principal e o tanque do conservador conectaram-se através de uma tubulação. O relé Buchholz é usado na junção entre o tanque do conservador e o tanque principal, nos transformadores com capacidade de mais de 1 MVA (MACHADO, 2017).

O tanque conservador tem como funções no transformador fornece lugar para o óleo do transformador quente se expandir. Também devolver óleo estocado para o transformador depois que o óleo esfriar. Outra função é diminuir a oxidação, reduzindo a área de contato do ar ao redor com óleo. O óleo oxidado permanece no tanque do conservador. O indicador de nível de óleo é conectado com o tanque do conservador para ler o nível de óleo nos transformadores (PASSOS JÚNIOR, 2016).

Quando o transformador é carregado e quando a temperatura ambiente sobe, o volume de óleo dentro do transformador aumenta. Um tanque conservador do líquido isolante fornece espaço adequado para este óleo que se expandiu possa ser alojado, atuando assim como um reservatório para o óleo em temperatura elevado (BENETTI, 2012).

Com a mudança na temperatura ocasionado pelo funcionamento do equipamento e condições ambientais, o nível de óleo não permanece estático, continua diminuindo e aumentando, pois, o óleo isolante tem um determinado coeficiente de expansão. Se a cavidade for grande na parte superior do tanque principal, a área de contato aumenta entre o ar e o óleo, o que diminui a rigidez dielétrica do óleo. Para reduzir esse efeito, usa-se um tanque com menor capacidade que o principal, do qual é separado através de um tubo (MAMEDE FILHO, 2011).

Com a ajuda do tanque do conservador do líquido isolante, é reduza a área de contato entre o óleo e o ar. A oxidação também reduz as propriedades do óleo isolante que ser torna ineficaz quanto a suas funções. Oxidação não ocorre no tanque principal devido ao tanque conservador (SUÑÉ, 2017).

O tanque conservador do líquido isolante do transformador age de forma semelhante ao tanque de transbordamento no radiador de um carro. Como o ciclo de carga do transformador, o mesmo acontece com a temperatura do óleo. Todos os fluidos, incluindo o óleo do transformador, mudam de volume quando a variação de temperatura. O óleo comum do transformador muda o volume em 0,07% por grau Celsius e esse excesso deve ser temporariamente armazenado em algum lugar até o momento em que a carga do transformador cair e o óleo se contrair (ZANINI, 2016).

NÚCLEO

O núcleo é uma parte importante de qualquer tipo de transformador e geralmente a mais pesada. Produzido em aço, possui alta permeabilidade e baixa resistência ao fluxo magnético. É feito de chapas de aço finas com espessura de alguns décimos de milímetro para reduzir as perdas e a corrente de magnetização. A principal maneira de produzir um núcleo é empilhar as chapas, cortá-las no tamanho desejado e depois empilhá-las para construir um núcleo (LIMA, 2015).

O núcleo é instalado em todos os tipos de transformadores para fornecer caminho magnético contínuo e também para um espaço de ar mínimo. Para este propósito, é utilizado aço enriquecido com silício e, às vezes, o tratamento térmico é usado para aumentar sua permeabilidade, reduzindo as perdas por histerese e também permitindo a diminuição do tamanho do núcleo com aumento na permeabilidade (VALE, 2011).


LÍQUIDO ISOLANTE 

Os materiais isolantes mais utilizados em transformadores de potência são o óleo mineral e o papel, de diferentes formas. O óleo mineral isolante é pesado em toneladas dentro do tanque e pode ser usado para avaliar muitos pontos essenciais sobre a condição de um transformador e de algumas falhas críticas incipientes (CAVALHEIRO; PAVAN, 2017).

É por isso que este tipo de óleo também é conhecido como óleo mineral isolante, já que serve principalmente a dois propósitos, o primeiro é criar uma barreira de o isolamento líquido e segundo é dissipar o calor do transformador agindo como refrigerante (SENAI/SC, 2007).

O papel, utilizados nos transformadores tipo seco, isola as voltas do enrolamento, enquanto o painel de reforço fortalece o isolamento elétrico e proporciona distância dielétrica em locais específicos, por exemplo, no duto principal entre os enrolamentos. Materiais isolantes, como papel, papelão e óleo mineral, são materiais orgânicos sujeitos ao envelhecimento. Como o isolamento sólido não pode ser reparado ou substituído facilmente como outras peças e componentes do transformador, limita também a vida útil do transformador. Portanto, a vida útil sólida do isolamento é a vida útil de um transformador (PASSOS JÚNIOR, 2016).


TERMÔMETRO DO ÓLEO 

Os termômetros do óleo são normalmente mostradores de discagem, lidados a estruturas tubulares, espiraladas e com sensores de bulbo cheios de líquido. A extremidade do termômetro sensível à temperatura (bulbo) fica normalmente dentro ao topo do tanque, em contato com óleo, já o visor do aparelho, geralmente é posicionado perto da placa de identificação do transformador. À medida que a temperatura do óleo aumenta no bulbo, o líquido se expande, o que expande o tubo espiral. O tubo fica conectado a um ponteiro que indica a temperatura (GEBRAN, 2014), conforme mostrado na Figura 5. 

Figura 5 — Termômetro do óleo
Termômetro do óleoSuñé (2017).

Esses ponteiros também podem ter contatos elétricos para acionar alarmes e iniciar os ventiladores de resfriamento conforme a temperatura aumenta. Um ponteiro extra, normalmente vermelho, indica a temperatura máxima desde a última vez em que o indicador foi reinicializado. Este ponteiro vermelho sobe com o ponteiro principal, mas não diminui a menos que seja redefinido manualmente; assim, indica sempre a temperatura mais alta atingida desde que foi reinicializado (ENDLICH, 2017).

Termômetros tipo discagem são geralmente usados para ativação de alarmes em condições anormais, dando resposta a leitura diretamente através de um sensor. Sempre que a temperatura do óleo aumenta para um nível específico, esse instrumento fornece sinal para o circuito de alarme. Geralmente o termostato do tipo discagem desarma o transformador, quando a temperatura do óleo se torna superior a 105º (WEG, 2013).

Em transformadores de alta potência, o termômetro de óleo também é usado dentro de enrolamentos, para medir a temperatura interna destas estruturas. Sempre que a temperatura aumenta até o nível perigoso, ativa o sinal de alarme (CAVALHEIRO; PAVAN, 2017).

APLICAÇÕES SEGUNDO OS TIPOS DE DEMANDAS DE USO

Os transformadores a óleo usam principalmente óleo mineral e papel de celulose (Kraft ou Aramid) em seus sistemas de isolamento, como já mencionado. Esta combinação comprovadamente tem excelentes propriedades térmicas e dielétricas a um custo relativamente baixo. Tão populares e eficazes são estas unidades, que todos os outros projetos de transformadores são julgados em relação a este tipo (DEL TORO, 1999).

Outra vantagem, é que são substancialmente menos onerosos em termos de custo de aquisição, entre todas as opções disponíveis. A desvantagem inerente de um transformador à óleo mineral é a inflamabilidade; sendo este o motivo pelo qual sua montagem é geralmente restrita a instalações externas, ou instalações internas que possuem meios elaborados de proteção contra incêndio (FONSECA, 2014).

Os transformadores à óleo, graças aos seus custos de compra mais baixos, encontram aplicações em literalmente todo tipo de distribuição de energia. Diante da pressão que vem se intensificando a partir dos anos 2000, a consciência dos riscos de incêndio associados aos transformadores com óleo mineral criou um movimento em direção a alternativas mais seguras que usam líquidos não inflamáveis, biodegradáveis ou até mesmo transformadores do tipo seco (PINHEIRO, 2016).

Os transformadores preenchidos com líquido não inflamáveis tipo Bifenilos Policlorados ou Polychlorinated Biphenyls (PCBs) foram produzidos em grandes quantidades a partir dos anos 1930, em resposta à necessidade da indústria elétrica por um substituto menos inflamável do óleo mineral como fluido de resfriamento/isolamento para transformadores. Vários incidentes industriais, no entanto, trouxeram a toxicidade dos PCBs para o primeiro plano. Como foram confirmados poluentes orgânicos, os PCBs foram proibidos no final da década de 1970 (KOSOW, 1982).

Uma série de alternativas desde então surgiram, sendo as principais: silicone, percloroetileno, hidrocarbonetos de alta temperatura e misturas de óleo com percloroetileno. O primeiro fluido baseado em Hidrocarbonetos de Alto Peso Molecular ou Ultra High Molecular Weight (UHMW) foi introduzido em 1975. Esses fluidos possuem propriedades dielétricas similares aos do óleo mineral, proporcionam níveis notáveis de resistência ao fogo e não apresentam precipitações ambientais indesejáveis (KOSOW, 1982).

Os transformadores à óleo não inflamável podem ser instalados em ambientes internos e externos, próximos a edifícios, passarelas e telhados. Normalmente, nenhuma infraestrutura adicional é necessária para resolver problemas como segurança contra incêndio (FITZGERALD; KINGSLEY JUNIOR; UMANS, 2006).

Transformadores preenchidos com líquido biodegradável, utilizam gorduras animais e óleos vegetais, como substitutos ao óleo mineral, que são significativamente menos prejudiciais ao meio ambiente do que os óleos de petróleo. Comparáveis em tamanho e desempenho elétrico ás unidades convencionais preenchidas com óleo mineral, esses transformadores são preenchidos com os fluidos dielétricos menos inflamáveis mencionados (WEG, 2010).

As vantagens imediatas dos fluidos biodegradáveis são claras: ponto de fulgor mais alto, reduzindo assim as preocupações de inflamabilidade. A outra vantagem, e talvez mais a longo prazo, é a biodegradabilidade do fluido: ele demonstrou alta assimilação ambiental (acima de 95% em menos de um mês) - e tem a virtude de vir de um recurso livre de toxinas (ENDLICH, 2017).

Geralmente, os transformadores com enchimento de fluido biodegradável encontram aplicação em turbinas eólicas e outras áreas internas e externas de maior sensibilidade ambiental e de segurança. Nos transformadores tipos secos convencionais Impregnados à Pressão de Vácuo ou Vacuum Pressure Impregnationa Ultra High Molecular Weight (VPI), a construção usa isolamento de alta temperatura que excede as classificações de fluidos da classe de celulose ou ‘O’ e ‘K’ (WEG, 2013).

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A seleção de transformadores de distribuição, seja para aplicações residenciais, comerciais, industriais ou de serviços públicos, tem ramificações de longo prazo. Transformadores podem ter vidas de décadas, dependendo do projeto, carregamento, aplicação, proteção e manutenção. É importante avaliar todos os atributos do transformador que afetam a decisão de aplicação.

Os transformadores com preenchimento líquido geralmente não são considerados uma opção para instalações internas quando deveriam ser devido a problemas históricos de segurança contra incêndios, preocupações ambientais e contenção especial.

Transformadores cheios de líquido são normalmente mais eficientes do que os tipos secos, e geralmente têm uma expectativa de vida mais longa. Além disso, o líquido é um meio de resfriamento mais eficiente na redução de temperaturas de ponto quente nas bobinas. Além disso, as unidades com líquido possuem uma melhor capacidade de sobrecarga.

Como os sistemas de isolamento a seco não possuem as propriedades adicionais de resfriamento e isolamento dos sistemas de papel-óleo, para a mesma classificação, os transformadores a seco tendem a ser mais caros, maiores e têm perdas maiores que uma unidade imersa em líquido correspondente.

Existem vários métodos de construção diferentes usados na fabricação de transformadores do tipo seco. Cada um desses tipos diferentes é adequado para ambientes ou aplicativos específicos.

Conclui-se que é necessário não apenas conhecer os tipos de transformadores e componentes, no momento da determinação do tipo a ser utilizado, é indispensável analisar o tipo de demanda que irão atender e o local a ser instalado, ambos os tipos de transformadores têm vantagens e desvantagens e a aplicação adequada garante a segurança na manutenção do serviço.

Como propostas para pesquisas futuras, apresenta-se realizar estudos sobre equipamentos de proteção contra falhas nos transformadores, de proteção contra descargas atmosféricas e sistemas de processos de manutenção dos transformadores, pois são atividades essenciais para segurança da planta da subestação, dos trabalhadores e da própria rede se distribuição.

Referências

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